Dragagem de manutenção

Coluna O Porto e Suas Questões

Paulo Schiff(*)

A questão da redução do calado máximo dos navios que acessam o Porto de Santos em janeiro deixa pelo menos duas questões importantes no ar.

A primeira delas se refere à responsabilidade por essa falha. Cada 10 centímetros reduzidos na profundidade de segurança representam 70 TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) a menos num navio de contêineres e 3 mil toneladas numa embarcação destinada ao transporte de granéis.

Ou seja, a redução inesperada modifica planejamentos e representa prejuízos.

A segunda questão se refere ao custo-benefício do aumento da profundidade de navegação do canal do estuário.

A Companhia Docas exibiu números interessantes que mostram um crescimento do volume de cargas movimentadas com a operação de um menor número de navios.

Mas por outro lado, a velocidade de deposição de sedimentos, num canal em que a profundidade é ampliada em relação à natural, é maior. Exige, portanto, mais dragagem de manutenção. Mais custos.

Na edição referente ao terceiro trimestre de 2012 da Revista Brasileira de Recursos Hídricos, os pesquisadores Tiago Zenker Gireli e Rafael Fernandes Vendrame, da Unicamp, chamavam a atenção num artigo exatamente para esse aspecto.

A dragagem de aprofundamento e alargamento do Canal do Estuário de Santos reforça uma tendência reconhecida quase por unanimidade entre autoridades e especialistas do setor portuário: a de que Santos vá se tornando um porto concentrador de cargas – um hub port. Isso justifica o esforço financeiro do governo federal nesse projeto de alargamento e aprofundamento: Mais de R$ 200 milhões se forem incluídos o derrocamento das rochas Tefé e Ipanema e a remoção do navio grego Ais George, naufragado em 1974.

Aí entra o custo da dragagem adicional de manutenção dessa profundidade e dessa largura.

Os próprios pesquisadores indicam naquele artigo que economicamente a profundidade de 15 metros é perfeitamente sustentável. Comparam dados de um relatório da Companhia Docas de 2005 que indica perdas de US$ 862 milhões pela insuficiência de calado com R$ 30 milhões por ano de custos adicionais de dragagem de manutenção.

Para uma profundidade de 17 metros, objetivo final do projeto e sonho de Santos, a coisa já não é tão simples, as contas são diferentes.

Resumo da ópera: os valores envolvidos e a consistência do projeto não admitem descuidos como esse que resultou na surpresa de janeiro.

(*)Paulo Schiff é jornalista. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

                                       





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