Considerado um dos maiores fóruns globais do segmento cafeeiro, o XXV Seminário Internacional do Café teve sua abertura oficial realizada nesta terça-feira (19), em Santos. Com a expectativa de receber mais de mil visitantes ao longo de três dias e contando com representantes de 24 países, a solenidade de início reuniu um público expressivo, repleto de lideranças empresariais e autoridades de destaque dos segmentos cafeeiro e portuário. Sediado no Santos Convention Center e organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS), o evento terá continuidade nesta quarta-feira (20), a partir das 9 horas, e se encerra na quinta-feira (21), com painéis programados para começar às 8h30.
A dimensão do encontro foi traduzida em números pelo presidente da ACS, Mauro Sammarco, que destacou a maturidade de uma trajetória que já soma cinco décadas. "Esse seminário se firmou como o maior do setor cafeeiro. São 50 anos de história construída pela visão de empresários que entenderam, antes de muitos, que o café não era apenas um produto, mas um elo que conectaria o Brasil ao mundo", disse, ressaltando também que o Brasil necessita de uma matriz de infraestrutura robusta, segurança regulatória e inovação tecnológica, como inteligência artificial, para manter a competitividade.
A conexão entre a força do campo e o desenvolvimento logístico foi o ponto central do discurso do presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini. Ao parabenizar a ACS pela organização do evento, o dirigente ressaltou o papel histórico da cultura cafeeira na consolidação das ferrovias e das estruturas que formam a poligonal portuária desde o século 18.
"O Porto de Santos representa 30% da corrente comercial brasileira. É a nossa principal janela de conexão, com 200 países e 600 locais de destino. Se não fosse a força do produtor rural, em especial do café, os portos e a logística nacional não teriam se desenvolvido. Movimentamos no ano passado perto de 190 milhões de toneladas, e 55% desse total se reflete pela força do agro brasileiro. Precisamos oferecer infraestrutura adequada para que o produtor tenha segurança para investir", afirmou Pomini.
Por sua vez, o vice-presidente da ACS e diretor-presidente da MSC do Brasil, Elber Justo, reforçou a importância do trabalho em cooperação mútua para ampliar o grão brasileiro no exterior e facilitar os fluxos logísticos da cadeia alimentar. "O Brasil é referência mundial do café. Esse encontro é uma forma de afirmar o compromisso com conexões que fortalecem o comércio e impulsionam o desenvolvimento".
Na sequência das análises setoriais, o diretor-comercial da EISA e também vice-presidente da ACS, Carlos Santana, propôs um resgate histórico comparativo entre a fundação do seminário, em 1972, e os dias atuais. Em sua fala, ele destacou que, ao longo das décadas, o complexo portuário expandiu sua movimentação de modestas 25 milhões de toneladas na década de 1970 para 186,4 milhões em 2025.
Ainda, Santana exaltou a consciência ambiental que já é vista no país. "O Brasil está muito próximo de colher uma das maiores safras de sua história, mesmo com uma área menor do que em 1972. Crescemos com mais tecnologia, eficácia, conhecimento e consciência. O produtor de café pensa em legado, saúde do solo, preservação da água e biodiversidade", avaliou.
Sob a perspectiva da sustentabilidade e das exigências de mercado, a diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Cristina Castro, elogiou o alinhamento da cafeicultura brasileira com os indicadores internacionais da ONU. "Olhando para os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), um levantamento rápido mostra que os produtores de café já atingiram sete deles claramente de maneira direta”, disse, dando exemplos. “Vocês estão altamente ligados à erradicação da pobreza, já que 78% dos produtores são de pequenas e médias empresas. Estão ligados ao ensino com as novas gerações, buscando novas tecnologias. Achei sensacional a inserção direta das mulheres no mercado, além dos impactos em mudanças climáticas e infraestrutura", listou.
A relevância social e identitária do grão também foi defendida por Pedro Henrique de Souza Neto, gerente de agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). De acordo com o gestor, a atividade simboliza perfeitamente a diversidade nacional.
"O setor é a cara do Brasil, porque o café foi um dos primeiros setores que levaram o país para as gôndolas do mundo todo há cerca de 100 anos. É um segmento com produtores de todas as origens e tamanhos, da agricultura familiar ao japonês, italiano e indígena. O Brasil tem o café que o consumidor global quer consumir", ponderou.
Por fim, a prefeita em exercício de Santos, Audrey Kleys, enfatizou o papel da cidade como patrimônio histórico da atividade cafeeira e celebrou a união das pautas de inovação e educação trazidas pelo seminário.
"Daqui foi o início para o estado, para o Brasil e para o mundo. Essa foi a nossa história como capital mundial do café e não poderia ser em outra cidade esse encontro magnífico", concluiu a governante.
Depois dos discursos, a organização do seminário homenageou o presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Carlos Augusto Rodrigues de Melo. No palco, o dirigente recebeu uma placa com detalhes em ouro por causa de sua trajetória profissional dedicada ao sistema cooperativista.
Na plateia - Além das autoridades que discursaram, a abertura da solenidade contou com a presença de diversos representantes dos setores público e corporativo. A administração municipal santista esteve representada pelo secretário de Governo, Fábio Ferraz, pelo secretário de Assuntos Portuários e Emprego, Bruno Orlandi, e pelo secretário de Turismo, Comércio e Empreendedorismo, Thiago Papa.
O segmento portuário e de comércio exterior reuniu lideranças institucionais, como o chefe do setor de Vigilância Agropecuária Internacional de Santos Área Vegetal (SetV-SNTV) do Ministério da Agricultura e Pecuária, Hugo Frederico Sickert de Almeida Rocha, e o presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região, Carlos Melo. O mercado empresarial internacional de café também marcou presença com o diretor da NKG Stocker, Michael Timm.
A força das entidades de classe e de fomento econômico do estado foi representada pelo vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Luiz Roberto Gonçalves, e pelo vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) da RA 05 - Litoral. Completando o grupo de autoridades, estiveram na cerimônia o diretor-administrativo e financeiro do IBI, Nicolas Margiotta, e o presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), André de Fazio Neto.
Visita externa - Embora a abertura oficial tenha ocorrido no período da noite, durante a tarde, em parceria com a Autoridade Portuária de Santos (APS), foi realizada uma visita externa ao canal do Porto de Santos. De barco, participantes do seminário puderam ver, de perto, a estrutura de todo o complexo. A ação tinha como objetivo mostrar a importância estratégica do local para o comércio exterior brasileiro e para a cadeia do café.
O XXV Seminário Internacional do Café Santos tem patrocínio de MSC, Brasil Terminal Portuário, StoneX, Autoridade Portuária de Santos, ApexBrasil, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Governo Federal, Ofi, Sucafina, LDC e Nucoffee. Cafeteria oficial: Cooxupé, SMC e Prima Qualità.