October 15, 2020

ECONOMIA: Dívida do país deve ser a 2ª maior dos emergentes em 2020

Fonte: Valor Econômico


O Brasil deverá atingir em 2020 o segundo maior nível de dívida pública de um grupo de 40 países emergentes e de renda média, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nas projeções do FMI, o endividamento bruto brasileiro alcançará a marca de 101,4% do PIB, atrás apenas dos 120,3% do PIB previstos para Angola, e muito acima dos 62,2% do PIB esperados para a média desse grupo de economias. O número deve ficar em 61,7% do PIB na China, em 89,3% do PIB na Índia e em 65,5% do PIB no México.

Pelas estimativas do Fundo, o Brasil terá a maior dívida bruta das economias emergentes e de renda média em 2022, quando o indicador atingirá 103,5% do PIB, ao passo que a de Angola recuará para 93,8% do PIB. Os números fazem parte do Monitor Fiscal, relatório divulgado na íntegra nesta quarta-feira. O documento indica que o endividamento bruto brasileiro crescerá até 2025 (data da última projeção que consta do texto), quando deverá bater em 104,4% do PIB. A dívida bruta é um dos principais indicadores de solvências das contas públicas acompanhados pelos analistas.

Em 2019, o endividamento bruto do Brasil ficou em 89,5% do PIB, de acordo com os número do Fundo, que adota uma metodologia diferente da usada pelas autoridades brasileiras para o cálculo do indicador. O FMI inclui na conta os títulos do Tesouro na carteira do Banco Central (BC), ao passo que, pelo critério brasileiro, esses papéis não são considerados. Em 2019, a dívida bruta do país ficou em 75,8% do PIB pela metodologia usada pelo BC. O FMI espera que, pelo critério brasileiro, o endividamento bruto do país fique em 99% do PIB neste ano.

No relatório, o Fundo diz que o Brasil está entre os principais países não exportadores de petróleo com maior alta da dívida neste ano, com uma elevação de 12 pontos percentuais do PIB, enquanto Índia e África do Sul verão o seu nível de endividamento subir 17 pontos do PIB.

A situação fiscal de países emergentes e desenvolvidos piorou de modo generalizado em 2020 devido ao impacto da covid-19, que levou ao aumento das despesas públicas e à queda das receitas, devido ao tombo da atividade econômica. Nos países avançados, o endividamento bruto vai subir de 105,3% do PIB em 2019 para 125,5% do PIB em 2020, enquanto o dos emergentes deve crescer de 52,6% do PIB para 62,2% do PIB, estima o FMI.

O Monitor Fiscal também mostra uma forte piora do déficit público brasileiro neste ano. O rombo primário (que exclui gastos com juros) deve subir de 1% do PIB em 2019 para 12% do PIB em 2020, enquanto o da média dos emergentes ficará em 8,8% do PIB, prevê o Fundo. Para o ano que vem, o FMI espera um déficit primário de 3,1% do PIB. Nas contas do Fundo, o Brasil deve apresentar resultados primários no vermelho até 2025 — o limite do horizonte das projeções —, quando o buraco seria de 0,1% do PIB.

A expectativa é de deterioração expressiva também do déficit nominal, que considera despesas com juros. Nesse caso, o rombo deve pular de 6% do PIB em 2019 para 16,8% do PIB em 2020, bem acima da média dos emergentes, de 10,7% do PIB.

No relatório, o FMI diz que operações fora do orçamento e medidas quase fiscais também podem aumentar vulnerabilidades fiscais, citando o caso de estatais que aumentaram o apoio à economia por meio de mais empréstimos a companhias e famílias no Brasil (uma referência à atuação dos bancos públicos).

O Brasil também é mencionado num boxe do relatório que trata de quão “verde” tem sido a resposta à crise da covid-19. O texto diz que alguns países ofereceram empréstimos para investimentos verdes, como para a limpeza de poços inativos de petróleo no Canadá, a modernização de veículos comerciais na Alemanha e a construção de infraestrutura resistente ao clima no Japão. “Medidas negativas foram principalmente resgates [de empresas], como para companhias aéreas no Brasil, na China e na França. Até o momento, apenas a França atrelou condicionalidades significativas de sustentabilidade ao seu resgate”, diz o FMI.

O encontro anual do FMI e do Banco Mundial ocorre nesta semana, realizado de modo virtual por causa da pandemia de covid-19.

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