Uma grande festa no Mercado Municipal de Santos marcou o encerramento do XXV Seminário Internacional do Café, na noite desta quinta-feira (21), com a presença da diretoria da Associação Comercial de Santos, dos participantes do seminário, convidados e autoridades.
Uma homenagem surpresa para o presidente da ACS, Mauro Sammarco, e o show do grupo Revelação tornaram o momento ainda mais especial. “O café é um setor organizado e um exemplo para outros setores do País. Guardo no coração esse aprendizado e deixo com grande carinho o que vive ao lado de todos vocês. A instituição segue porque ela é o que importa. Em qualquer lugar que eu estiver, vou continuar apoiando, torcendo e trabalhando junto, porque nós amamos a ACS e essa Cidade, disse Mauro, emocionado.
Em três dias, o Seminário Internacional do Café recebeu cerca de mil pessoas e representantes de 28 países. No total, foram realizadas 12 atividades, entre painéis e palestras, apresentadas várias empresas e marcas de café e iniciados muitos negócios.
Essa edição foi especial por se tratar da 25ª do evento que teve início em 1972, ainda como uma ação nacional, congregando apenas empresários do Brasil. Ocorrida entre os dias 2 e 4 de fevereiro, nas dependências do Hotel Casa Grande, no Guarujá, o evento reuniu representantes das empresas responsáveis pela exportação de doze das dezoito milhões de sacas então exportadas anualmente pelo Brasil. Na edição seguinte, em 1973, a ACS ampliou o mapa do comércio, convidando representantes do setor na Europa, Estados Unidos e Japão, tornando-o de caráter internacional.
Daí em diante, o Seminário se consolidou como o evento do setor no Brasil e no mundo, atraindo ministros, presidentes da República e governadores do Estado, além de participantes internacionais. Realizado bienalmente, ele foi paralisado entre os anos de 1988 e 1998 e em 2020, em decorrência da pandemia de Covid-19, adiando a 23ª edição para 2022.
A edição de 2024 entrou para a história do Seminário por ter sido realizada pela primeira vez na cidade de Santos, sede da ACS e do Porto de Santos, o maior corredor de exportação de café do Brasil, respondendo por cerca de 78% das exportações no ano passado.
Desafios estruturais – A edição de 2026 consolidou Santos como a sede oficial do Seminário. Nesta quinta-feira (21), último do evento, no Santos Convention Center, especialistas discutiram os riscos para os próximos meses, volatilidade do mercado e desafios estruturais do café.
O debate, que reuniu alguns dos principais traders globais do setor, apontou preocupação imediata sobre a produção do tipo arábica e, principalmente, de robusta. Paralelamente, os especialistas traçaram perspectivas para os próximos cinco anos, projetando um mercado mais volátil, pressionado por desafios estruturais ligados à sucessão familiar, adaptação tecnológica e oscilações globais.
O painel “Traders” foi mediado pelo head de café no Brasil da COFCO International, Octávio Pires. A atividade contou com a participação do diretor-regional da ECOM Agroindustrial, Alejandro Flórez; do head de café na Europa da Comexim Group, Alex Park; e do CEO da Volcafé Brasil, Danilo Pucci.
Ao analisar o cenário climático de curto prazo, os painelistas afirmaram que o possível retorno do El Niño, ainda este ano, preocupa especialmente pelos efeitos sobre a produção de robusta no Brasil e no Sudeste Asiático. Neste sentido, Pucci destacou que um evento severo pode provocar impactos relevantes já nas próximas safras.
“As previsões já indicam possibilidade de um El Niño moderado ou severo nos próximos meses. Em um cenário mais forte, o impacto sobre o robusta pode ser significativamente maior”, afirmou. Segundo ele, o Espírito Santo, a Bahia e países produtores da Ásia, como a Indonésia, podem sofrer perdas importantes caso os efeitos climáticos se intensifiquem.
Por sua vez, Alex Park reforçou que os eventos meteorológicos extremos passaram a fazer parte permanente do ambiente global do café. “Esses ciclos serão mais predominantes e mais severos. O clima continua sendo a principal preocupação (para o futuro)”, disse.
Além da preocupação imediata com o clima, os traders discutiram as transformações estruturais esperadas para os próximos cinco anos. Entre os principais desafios citados, estão a necessidade de renovação tecnológica das lavouras e a expansão das áreas plantadas.
Produtores - Outro ponto que acende o sinal de alerta é a sucessão familiar nas propriedades produtoras. Para Alejandro Flórez, muitos países já enfrentam dificuldades para atrair novas gerações ao campo. Segundo ele, a situação tende a se tornar um dos fatores mais críticos para o equilíbrio da oferta global no médio prazo.
Durante o painel, os painelistas também avaliaram que o mercado deverá seguir marcado por forte volatilidade, influenciada não apenas pelo clima, mas também por fatores geopolíticos, oscilações cambiais, juros globais e gargalos logísticos. Apesar disso, houve consenso de que a demanda mundial por café permanece resiliente.
Estoques - A questão dos estoques mundiais também ganhou destaque nos debates do evento, tanto no painel “Traders” quanto no painel “Supply & Demand”, mediado pelo diretor-comercial da EISA - Interagricola S/A e vice-presidente da Associação Comercial de Santos, Carlos Santana.
Ao longo da discussão, o presidente de divisão Financeira e da América Latina da StoneX, Oscar Schaps, asseverou que o mundo atravessa um período de reservas reduzidas. “O café é uma das commodities mais voláteis do mundo. Tivemos redução dos estoques globais, além de problemas climáticos, guerra impactando fretes e um ambiente extremamente sensível”.
Já o analista de pesquisa no mercado de café do Rabobank Brasil, Cláudio Delposte, declarou que o setor ainda depende de grandes safras para recompor suas reservas e devolver estabilidade ao mercado. “Vamos precisar de outra safra volumosa para dar fôlego ao mercado”.
Conforme Delposte, o comportamento climático durante a próxima florada brasileira será determinante para o rumo dos preços e para o equilíbrio global entre oferta e demanda.
O seminário - A 25ª edição do fórum começou na última terça-feira (19), com a abertura oficial e também uma visita externa ao canal do Porto de Santos, atividade que foi realizada em parceria com a Autoridade Portuária de Santos (APS).
O XXV Seminário Internacional do Café Santos tem patrocínio de Apex Brasil, Brasil Terminal Portuário, MSC, StoneX, Autoridade Portuária de Santos, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Governo Federal, Contegran, Nucoffee, LDC, Ofi e Sucafina. Cafeteria oficial: Cooxupé, SMC e Prima Qualità.